sexta-feira, 23 de junho de 2017

Precisamos falar sobre CONTOS!

Edgar Allan Poe - Machado de Assis - Clarice Lispector

“O conto não é mais o mesmo depois de Poe. Não se escreve mais da mesma maneira depois de Poe. Não se vê mais o mundo, a vida e a morte da mesma ótica depois de Poe. ” Estas são as palavras de Eliane Fitipaldi Pereira* ao apresentar o livro ‘Contos de Suspense e Terror’, do celebre escritor Norte Americano Edgar Allan Poe (Veja aqui uma análise literária do conto 'O Gato Preto'). Além de Poe, vários escritores se destacaram nessa modalidade narrativa, tais como, Clarice Lispector, Machado de Assis, Moacyr Scliar, Charles Dickens, H.P Lovecraft e etc. Atualmente, tem se observado um aumento no interesse pela leitura de contos, dos clássicos aos atuais que são lançados frequentemente por novos talentos literários. O conto possui uma maneira peculiar e bastante atrativa de se contar uma história; mas, para se ter uma experiência plena desse gênero narrativo é preciso estar familiarizado com suas principiais características, nas quais vamos considerar neste artigo.

Conceitualmente, conto é uma narrativa curta, cuja característica central é condensar o conflito, tempo e espaço com reduzido número de personagens. Ou seja, diferentemente do romance, que possui uma narrativa longa, envolve muito personagens, maior número de conflitos e tempo e espaço mais ampliados, o conto condensa essas características para uma forma mais direta e econômica. Vejamos isso na prática através de uma breve análise estrutural do conto ‘O ganancioso Barão Raposo’, escrito por Rodrigo Passolargo*, que faz parte do livro ‘Vilões– Antologia com 15 Contos inéditos’:  

O GANANCIOSO BARÃO RAPOSO



O conto trabalha com um único conflito dramático: no caso, a ganância de um herdeiro gatuno que almeja ser o homem mais rico do mundo.

No texto de Rodrigo vemos todos os elementos característicos duma narrativa: o ¹narrador, em terceira pessoa, ² o espaço (Londres, Floresta, Caverna...), ³tempo (objetivo e cronológico) e a ³situação inicial: O barão que recusa ajudar dois mendigos, furta objetos valiosos e só pensa em como ficar mais rico. Em sequência há o elemento que desestrutura a história – os dois mendigos ficam ricos de forma fácil e repentina e o barão passa a cobiçar a mesma sorte dos ex-mendigos em estado totalmente doentio. Os personagens – o Barão (protagonista), dois mendigos e dois deuses onipresentes Shu e Emesh (secundários). O clímax da história (auge do conflito dramático) é atingido quando se cria o suspense – o plano do Barão Raposo de se tornar o homem mais rico do mundo de forma repetina, tal como os dois mendigos – pode ou não dar certo. A partir do momento que o barão Raposo chega numa caverna mística escondida nos confins de uma floresta, faz um pedido aos deuses e obtém uma benção inusitada, a história caminha para o seu desfecho.
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Thomas C. Foster*, no seu livro teórico de literatura ‘Para ler Romances como um especialista’, traz atenção para primeira frase, parágrafo e página na abertura de um romance. Segundo ele, a primeira página de um romance é uma espécie de negociação com o leitor, que o prepara e informa sobre a forma como o livro deverá ser lido. No entanto, apesar da importância de uma grande abertura, é possível que diferentes leitores nas mais diversas obras de romance, passem a se identificar ou se sentirem atraídos pela história bem depois dos primeiros capítulos. No conto é diferente. Devido a sua estrutura curta, é preciso mais do que um preparo inicial, o escritor tem a responsabilidade redobrada em convencer e fisgar o leitor imediatamente na introdução, principalmente quando o conto possui clímax e desfecho ocorrendo de forma simultânea - estrutura comum nos contos, principalmente nos Poeanos e de H.P Lovecraft.


"Escrever contos me faz sentir um contador de histórias daqueles que ficam ao redor da fogueira enquanto os demais permanecem à espera da próxima cena. E assim poder contar várias histórias diferentes a cada noite nessa floresta da literatura e entender o ritmo adequado que a história no conto necessita.Os leitores de contos conseguem absorver mais narrativas em tempo menor dos grandes romances." - Rodrigo Passolargo

Alguns creem que os contos, por serem menores e “econômicos”, são desconstituídos de valores estéticos e, por esta razão, são voltados mais para o passatempo do que qualquer outra função. Um engano. Os contos de Poe, num exemplo de estética, possuem uma magia verbal única – o ritmo hipnótico, hipérbatos e anacolutos (que criam o suspense), as aliterações, assonâncias e consonâncias que marcam as ações ou comportamento das personagens, o pleonasmo que transmite as emoções, e assim por diante. No conto
‘O Ganancioso Barão Raposo’, cujo a estrutura foi analisada neste artigo, possui em sua composição uma rica fusão de valores literários oriundos da cultura nordestina e inglesa numa história que, assim como os demais contos do livro, leva o leitor rumo ao coração (em sentido figurado) dos vilões ou antagonistas da sociedade (e das grandes histórias) numa reflexão alternativa aos mesmos.

Em seu conceito e estrutura definida, os contos, assim como os demais gêneros narrativos e literários, sempre proporcionaram e continuarão possibilitando a diversidade das ideias, estimulando nossa capacidade de reflexão e ampliação da nossa visão do mundo através de belas e marcantes histórias, quer sejam desenvolvidos por meio de recursos linguísticos apurados para conferir qualidades estéticas do universo artístico literário, ou  simplesmente nos fazer embarcar numa curta experiência de aventura, amor, tristeza, erotismo, medo ou humor em algum breve momento da nossa vida de leitura. 



* Eliane Fitipaldi Pereira: Mestre e Doutora em Letras pela USP e tradutora de vários livros publicados por diferentes editoras.

** Rodrigo Passolargo: é Presidente do Conselho Branco Sociedade Tolkien – BR, instituição de que estuda e divulga a obra de J.R.R Tolkien e a literatura de Fantasia. Funcionário público e licenciado em História, já palestrou em vários eventos, como Bienal do Livro do Ceará e Encontro Anual de Literatura Fantástica – PB. Junto com a Secretaria de Cultura do Ceará coordena o Laboratório de Escritores.

*** Thomas C. Foster: leciona inglês na Universidade de Michigan, Flint, e também ministra cursos sobre ficção contemporânea, teatro, poesia escrita criativa e composição. Escreveu diversos livros sobre literatura e poesia, inglesa irlandesa do século XX, e mora em Lansing, Michigan. 

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Literariedade e Adaptação de Livros para o Cinema



A harmonia entre autores, leitores e a Sétima Arte nem sempre é das melhores. Roald Dahl ficou tão frustrado com o filme ‘A Fantástica Fábrica de Chocolate’, que decidiu jamais permitir uma adaptação do livro sucessor, ‘Charlie e o Grande Elevador de Vidro’. J.R.R Tolkien não viveu o suficiente para ver sua grande obra-prima, ‘O Senhor dos Anéis’, se transformar nos filmes mais premiados da história do cinema entre os anos 2001-2003, e nem O Hobbit entre 2012-2014; mas no que depender de Christopher, seu filho, ‘O Silmarillion’ jamais terá uma versão cinematográfica. Segundo o herdeiro, os filmes do Senhor dos Anéis “evisceraram [o livro] e o transformou em filme de ação”.

Há muito o que discordar de ambos. Apesar de Christopher Tolkien ter pontuado que a comercialização tenha reduzido o valor estético e o impacto filosófico da obra, é preciso esclarecer que o problema não é o filme, afinal este também possui um grande valor estético e filosófico para o Cinema, formato para o qual o livro foi adaptado. Então, onde estaria o problema? Ou, o que poderia ter levado Christopher à essa conclusão? Talvez os próprios leitores. Os mesmos que, no cinema, vibraram a cada flechada de Legolas mas torceram o nariz para os aspectos descritivos da narração; que assistiram com vibração as longas sequencias de luta em Minas Tirith, mas não leram com sensibilidade à poesia das canções e poemas ao longo da narrativa criada pelo doutor em Letras e Filologia.

Mesmo que estes leitores sejam uma exceção, ou mesmo que o Christopher Tolkien tenha exagerado em sua colocação, tem se tornado perceptível uma banalização da experiência literária e cinematográfica. De um lado leitores que não se sentem completos com o que leem e vivem a “mendigar” filmes baseados no seu mais novo livro favorito como “complemento”. Do outro, o lançamento de um filme baseado em algum livro famoso que provoca uma verdadeira corrida à leitura, sendo o objetivo ler o livro o mais rápido possível antes de assistir ao filme. Como resultado, no dia da estreia os debates se concentram em quão diferente o filme é do livro. Geralmente a sensação ao final desse processo é que o livro deixou de ser lido como livro e o filme de ser assistido como filme. E quando o filme não faz sucesso a opinião geral é: “não gostei, estava muito diferente do livro! Por que não fizeram igual? ”.

Não acho que nenhum leitor deve ter obrigação de gostar do filme, série ou peça baseado em algum livro, afinal o gosto é subjetivo e cada um tem uma recepção diferente de tudo o que ler, ouve e assiste. Entretanto, insisto na ideia de que o leitor precisa entender a literatura como procedimento diferente, e aproveitar os dois formatos sem dependências de um ou de outro, afinal, diferente do que muitos propagam, os filmes não estragam os livros, pois estes continuam intactos e prontos para serem lidos quantas vezes for necessário. Como argumentação, proponho uma análise a partir da compreensão do conceito de literariedade.

Um livro possui linguagem diferente até mesmo de outras linguagens escritas. De acordo com Victor Chklovski (1978), há uma distinção entre a natureza da linguagem poética e a natureza da linguagem prosaica (a linguagem do cotidiano), que é o procedimento utilizado por um escritor para a elaboração da linguagem. 

“E eis que para devolver a sensação de vida, para sentir os objetos, para provar que pedra é pedra, existe o que se chama de arte. O objetivo da arte é dar a sensação do objeto como visão e não como reconhecimento; o procedimento da arte é o procedimento da singularização e dos objetos e o procedimento que consiste em obscurecer a forma, aumentar a dificuldade e a duração da percepção; a arte é um meio de experimentar o devir do objeto, que já é “passado” não importa para a arte (CKLOVSKI, 1978, p. 45).

Isso torna, por exemplo, um texto noticiário diferente de um texto literário. Veja os exemplos a seguir:



Enquanto que o texto I é direto, com o predomínio de informações relevantes para um leitor de jornal que queira ter o conhecimento dos fatos, no texto II há uma articulação desautomatizada, onde detalhes que seria inúteis ao texto jornalístico, conferem dramaticidade e ambiguidade textual – aspectos apreciados no texto literário. Nele o autor se preocupou com minúcias trabalhadas pela linguagem. A ambiguidade textual possibilita ao leitor horizonte de interpretação variados. Por exemplo, nos livros não imaginamos os lugares e nem julgamos as ações das personagens da mesma forma, por mais que estes sejam extremamente descritivos. Cada um de nós traz, para cada leitura, tanto de nossa própria vida e própria perspectiva.

Orthanc em diferentes interpretações e procedimentos artísticos

Para enriquecer mais esta análise quanto ao processo de adaptação de um livro para o cinema, acrescento também compreensão da mimese, termo grego discutido por Aristóteles e Platão que corresponde a ideia de imitação, representação, ou seja, criar algo semelhante a outro, imitando-o. Sílvio Paradiso (2016), em sua análise de A República, diz que Platão acreditava que toda a criação humana já era uma imitação de algo pensado no plano imaterial, das ideias. Para Platão, se todo mundo já era imitação, as imitações dessas imitações (ou seja, as manifestações artísticas, escultura, pintura, literatura, fotografia e etc.) seriam uma segunda mão.

A arte escrita construída por um autor pode proporcionar informações e temas da vida cotidiana que, mesmo no entretenimento e na ficção, provocam no leitor novas perspectivas sobre a vida e da sua percepção do mundo. O cinema, em procedimentos diferentes, também. Quando um livro é adaptado há uma imitação da ideia “original”, que passa a assumir novas funções estéticas pertencente ao novo formato artístico. Nesse contexto, nenhuma adaptação de Drácula (Bram Stoker) poderá proporcionar a mesma experiência narrativa através de diários e memorandos em primeira pessoa, isso cabe apenas ao livro. 

A conclusão seria que todo filme adaptado de um livro é bom? Não, um filme tem sua própria crítica, baseada em critérios técnicos e também os subjetivos, de acordo com a experiencia de cada um. O que proponho, como conclusão, é que o leitor passe apreciar o livro como trabalho literário independente de uma transformação em filme, e que o filme passe a ser apreciado segundo suas possibilidades e peculiaridades e não apenas sob critérios de uma inviável semelhança ao livro. 

REFERÊNCIAS:

CHKLOVSKI, Vcitor. A arte como procedimento. IN: Toledo, D.O. Teoria da Literatura: Formalistas Russos. Porto Alegre: Globo, 1978;
ARISTÓTELES. Arte Poética. (Trad. Pietro Nassetti). São Paulo: Martin Claret, 2004. 

quarta-feira, 5 de abril de 2017

O Gato Preto - Edgar Allan Poe [Uma Análise Literária]

Os modelos de análise literária permitem observar os diferentes níveis textuais, desde a sintaxe, coesão, dimensão do texto e até sua estrutura; sendo o modelo mais usual focado nos principais operadores do gênero narrativo (PARADISO, 2016). Para a seguinte análise estrutural do conto O Gato Preto (The Black Cat) de Edgar Allan Poe, foram utilizadas as traduções das edições Medo Clássico – Edgar Allan Poe – Vol 1 (Darkside Books, 2017) e Contos de Suspense e Terror – Edgar Allan Poe (Martin Claret Ltda, 2015), com consultas ao texto original em inglês, disponível no site poestories.com.  

Edgar Allan Poes (1809-1849)
Narrador
Autodiegético, ou seja, é protagonista e narra sua própria narrativa: “Para a narrativa tão extravagante, porém tão despretensiosa, que estou prestes a escrever [...]¹. No texto há influência de percepções, pois é lido como uma confissão ou testemunho de um homem com mente doentia que vivenciou o ato narrado.

Personagens
Narrador protagonista (redondo);
Mulher/esposa (plano);
Policiais (planos).
Os personagens complexos (redondo), são os tipos mais próximos às condições psicológicas humanas, isto é, possuem densidade psicológicas, podendo sofrer alterações comportamentais e/ou ideológica durante a trama. Costumam apresentar dilemas morais e são imprevisíveis. Os personagens planos, por sua vez, são lineares, tendem a se manter com as mesmas características que lhes foram atribuídas no início da obra; possuindo baixa densidade psicológica e caráter marcado. (PARADISO, 2016)

Nó, Clímax e Desfecho
O nó acontece quando o narrador/protagonista mata o seu gato de estimação, pois é a partir daí que se desenrola a trama. O clímax e o desfecho estão fundidos, uma característica comum em contos, onde geralmente se trabalha um único conflito dramático. O ápice é a descoberta do que o gato estava dentro da parede, junto com o cadáver da esposa.

Fonte: Novel Writing

Ambiente e Espaço
O conto possui um ambiente gótico, típico dos contos Poeanos. É possível extrair do texto alguns vocábulos que auxiliam a construção de um ambiente de terror e suspense: Monstro, Medo, Pavor, Demônios, Agonia, Inferno, Cadáver, Grito, Aterrorizado, Tumba, Agonia, Crânio e etc. A narração acontece uma cadeia: “Mas amanhã morrerei e hoje preciso aliviar minha alma [...]”... "É com muita vergonha que admito - sim, mesmo agora condenado nesta cela [...]"²; e a narrativa em uma casa: “Uma noite, regressando a casa [...]”. 

Segundo FRANCO JR (2003), o ambiente caracteriza determinada situação dramática em determinado espaço, ou seja, o clima e a atmosfera que se estabelece entre as personagens em alguma situação, sendo que o espaço pode apresentar vários ambientes. Ambientação, por sua vez, é a identificação da forma com o ambiente é construído pelo narrador e, ao mesmo tempo, identifica o trabalho de escrita do autor do texto.

Símbolos

O gato e seu nome Pluto é uma referência ao deus romano do submundo, ou Hades, segundo a mitologia grega. Além disso, há a forca como símbolo de culpa. 

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Bibliografia 
FRANCO JR, Arnaldo. Teoria literária: abordagens históricas e tendências contemporâneas. Maringá: Eduem, 2003;

PARADISO, Silvio. Teoria da Literatura. Maringá: Unicesumar, 2016 

¹ Contos de Suspense e Terror – Edgar Allan Poe (Martin Claret Ltda, 2015)
² 
Medo Clássico – Edgar Allan Poe – Vol 1 (Darkside Books, 2017)

segunda-feira, 27 de março de 2017

Drama na Idade Média [Os Pilares da Terra]




SINOPSE: Inglaterra, meados do século XII. Em uma terra abalada por sangrentas batalhas pela sucessão ao trono do Henrique I, um homem luta contra tudo e todos para levar a cabo a minuciosa construção de uma catedral gótica, digna de tocar os céus. Ao redor da igreja e de seus personagens, forma-se um mosaico de um tempo conturbado, varrido por conspirações, intrincados jogos de poder, violência e o surgimento de uma nova ordem social e cultural. Aclamada como a obra-prima de Ken Follet, ‘Os Pilares da Terra’ é sucesso entre público e crítica por mais de duas décadas, com mais de 18 milhões de exemplares vendidos no mundo todo. 



A arte tem a força de ampliar a visão da realidade ao criar perspectivas para a compreensão da História, e de contribuir para fortalecimento de nossas capacidades cognitivas ao possibilitar a reflexão sobre a natureza humana em suas múltiplas facetas. É sob essa possibilidade, na Literatura, que Ken Follet escreveu um dos Romances de ficção histórica mais emocionantes dos últimos 20 anos – Os Pilares da Terra.

Para conferir veracidade à ambientação¹ e ao ambiente² da trama, Follet contou com o conhecimento de renomados Historiadores como Jean Gimpel, Geofrey Hindley, Warren Hollister e Margaret Wade Labarge. A contribuição destes especialistas em Idade Média são perceptíveis em vários momentos da narração desenvolvida por Follet, que fornece ricos detalhes do contexto político, religioso, cultural e arquitetônico da época. O conjunto dos fatos ocorrem num espaço de tempo de 51 anos, narrados cronologicamente em: Prólogo (1123); Parte um (1135-1136); Parte dois (1136-1137); Parte três (1140-1142); Parte quatro (1142-1145); Parte cinco (1152-1155); Parte seis (1170-1174).


A arquitetura é um dos conteúdos mais importantes em Os Pilares da Terra
Num texto de grande beleza estética, o leitor é levado ao passado numa experiência verossímil da anarquia que assolou a Inglaterra no século XII e as duras consequências na vida dos ingleses daquele período. A interação dos personagens entre protagonistas e antagonistas e a percepção de seus sofrimentos, medos, paixões, sonhos, crenças e ambições, proporcionam momentos de profundas e fortes emoções ao longo da história. 

É também notável a variedade de temas abordadas no livro, na qual três me chamaram atenção pela magistral exposição: a injustiça contra as mulheres, a homofobia, e o papel desempenhado pela Igreja na sociedade da época, sendo esta o centro do enredo, mostrada em dois lados opostos, o da caridade, perdão, e amor (representados no personagem Philip) e o lado da corrupção e hipocrisia (representados no ambicioso e perverso Waleran).
Lado esquerdo: Prior Philip - um dos mais belos e inspiradores personagens
Lado direito: Jhonatan e Tom Construtor 
Por fim, repleto de conspirações e reviravoltas dramáticas, a habilidade de Follet em amarrar as pontas num grandioso clímax, tornam o desfecho da obra um grandioso, sensível e emocionante espetáculo à parte. Os Pilares da Terra é um monumento literário.


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¹ Ambiente: caracteriza determinada situação dramática em determinado espaço. O ambiente é o "clima, a atmosfera que se estabelece entre as personagens em determinada situação dramática [...]. Um mesmo espaço pode apresentar diversos ambientes" (FRANCO JR, 2003, p.44).

² Ambientação: Compreende "a identificação do modo como o ambiente é construído pelo narrador e, portanto, ela identifica também o rabalho de escrita do autor do texto, as escolhas que ele faz para construir deste ou daquele modo os ambientes" (FRANCO JR, 2003, p. 44). 

domingo, 19 de março de 2017

Os significados do logotipo Valfenda


Já por dois anos tenho feito uso desse belíssimo logotipo para carimbar postagens na Página e Grupo do Facebook e também no Blog. É provável que novos leitores ou membros do grupo se perguntem quanto ao significado da imagem; se há e quais são. A explicação está no processo de elaboração do mesmo, que ocorreu em Janeiro de 2015.

No final do ano de 2014, tínhamos no grupo Valfenda, no Facebook, uma grande número de membros eternamente fã das obras de Tolkien, mesmo após o término dos filmes sobre a terra-média no cinema. Falar sobre seus livros e conhecer mais pessoas que compartilham do mesmo apreço pela obra do professor, e pelas as adaptações cinematográficas, sempre seria o objetivo do grupo. No entanto, foi concordado que todos nós admiramos também outros autores e outros livros. Diante disso, foi decidido então que, Valfenda - A Última Casa Amiga, seria também morada de outros universos literários, dando espaço também para se ler e debater outros livros. Foi quando decidi criar um novo logotipo que fizesse jus a nova fase do grupo e do blog. O primeiro passo foi criar um texto para inspirar o Designer Arthur, da Sircrux, que foi o seguinte:

Valfenda - A Última Casa Amiga 

Fundado no ano de 1697 da Segunda Era e localizado em um imenso vale cortado pelo rio Bruinen, Valfenda foi um dos reinos élficos mais belos e pacíficos da Terra-média. Escondida nas charnecas e sopé das Montanhas Nebulosas, a cidade possuía uma uma arquitetura milenar de grandioso trabalho artístico em harmonia com uma exuberante natureza de belezas sem limites. Até o final da terceira era Valfenda se tornara um importante polo histórico e cultural da terra-média, muitos viajantes a buscavam para conselhos, descanso e arte, aproveitando as visitas na ‘Última Casa Amiga’ para conhecer artefatos e objetos de arte que contavam a história da antiguidade dos Homens e dos Elfos.

Não se sabe o que aconteceu com Valfenda após a partida de seus últimos habitantes; passaram-se anos, séculos, milênios. A história de um dos lugares mais espetaculares que a imaginação de um homem pôde criar, sobrevive nos livros, contos, filmes, desenhos e na música. O nosso grupo, nossa page e nosso blog, recebem esse nome porque cremos que a Valfenda de nossa imaginação merece ter uma perpetuação de sua essência: Ser um lugar de ‘descanso’ para todos os tipos de leitores, ter ‘Arte' de todos os gêneros e gostos e entretenimento como toda boa casa. Aqui queremos preservar a memória da Obra de J.R.R Tolkien e também desfrutar de outras Artes da Literatura e do Cinema, além da amizade e companheirismo das pessoas que conhecemos aqui.


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A partir disso, foi analisado os aspectos geológicos, a cultura, e a arquitetura de Valfenda, aferidos  nessa imagem:  

Diante disso, enfim, foi criado o logotipo, que tem os seguintes significados:



O V de Valfenda, inspirado nas construções dos chalés elaboradas por Alan Lee aos filmes, estando estas de cabeça pra baixo. A divisão em duas partes simbolizam a natureza do vale, representada por uma árvore repleta de galhos, significando a pluralidade do nosso grupo. As formas do V foram inspiradas nas espadas élficas que representam a arte e a força do grupo. Elas são envolvidas pelas raízes e ramos da árvore denotando o passar dos séculos e milênios do imaginário mundo antigo até os nossos dias. Valfenda se tornou ruínas, mas a essência de Imladris, Karningul, da última Casa Amiga a Leste do Mar sobrevive na nossa imaginação e no nosso portal!



7 critérios para se reconhecer um bom livro

Reconhecer um bom livro não é uma tarefa simples e nem objetiva. Há diversos critérios para determinar o que é um bom livro; e não são iguais para todas as pessoas. Mas, é possível enumerar alguns desses critérios:

1 – Um bom livro é necessariamente escrito em português correto e fluente;

2 – Um bom livro conta uma história interessante;

3 – Um bom livro é reconhecido e admirado por muitas pessoas de alguma cultura;

4 – Um bom livro tem originalidade;

5 – Um bom livro pode ser lido e interpretado de maneiras diversas, dependendo do leitor e da época;

6 – Um bom livro faz o leitor refletir;

7 – Um bom livro deixa no leitor uma sensação de crescimento, de ter conhecido algo novo que enriqueceu sua vida.


Numa outra oportunidade, comentarei cada critério dando exemplo de livros que podem corresponder a cada um destes. 



Referências: 
Enciclopédia Barsa, Barsa Planeta Internacional Ltda, São Paulo, 2004.

sábado, 10 de dezembro de 2016

[A Guerra dos Mundos] - Indispensável aos fãs de ficção-científica

SINOPSE: “Eles vieram do espaço. Eles vieram de Marte. Com tripés biomecânicos gigantes, querem conquistar a Terra e manter os humanos como escravos. Nenhuma tecnologia terrestre parece ser capaz de conter a expansão do terror pelo planeta. É o começo da guerra mais importante da história. Como a humanidade poderá resistir à investida de um potencial bélico tão superior?”




A Guerra dos Mundos, publicado pela primeira vez em 1998, é um clássico do escritor britânico H. G Wells, sendo considerado dos primeiros livros a narrar uma invasão catastrófica de alienígenas hostis. Wells foi pioneiro em usar a ficção-científica para criticar a sociedade de sua época e a questionar a fragilidade humana no universo em que vivemos, tornando sua obra uma experiência obrigatória aos fãs de ficção-científica e ufologia.


Ambientada na Inglaterra, no final do século XIX, a história é narrada pelo protagonista, cujo o nome não é revelado, que testemunha acontecimentos destrutivos que ocorrem após um cilindro de Marte cair na terra. Vão tirar mais proveito da ambientação os leitores que são familiarizados com a geografia de Londres, ou que conheçam as diversas cidades e regiões em que se passam a história. Porém, os que ignorarem os diversos nomes dos lugares que surgem a cada página, não serão prejudicados no entendimento da narração mas, na dúvida, poderão pesquisar um mapa da época à medida em que a invasão dos marcianos ocorrem.


Com uma linguagem simples, Wells, que possuiu uma formação básica de ciência, recorreu a diferentes áreas como Astronomia, Biologia e Teoria Evolucionista para construir sua narrativa e, conferir a esta (utilizando as palavras Brian Aldiss), uma força quase mitológica e poética. A existência de vida inteligente fora do Planeta Terra ainda é um mistério para a humanidade, mas será que, na existência de seres superiores ou mais evoluídos do os seres humanos, estaríamos em importância afetiva para eles assim como os micro-organismos estão para nós? E se eles pudessem invadir nosso planeta afim de explorar nossos víveres, estaríamos condenados à destruição assim como as formigas de um quintal prestes a ser limpo? Wells faz ácidas críticas às instituições políticas, militares e religiosas que durante séculos da história foram os “brutos ETs” a passar por cima de homens e mulheres em diferentes cantos do mundo. 



A edição especial capa-dura celebra os 150 anos do autor e contém ilustrações, tradução revisada e extras que dispensam qualquer resenha que se possa fazer à mais. É, sem dúvidas, um livro que merece um lugar especial na estante de todo leitor e fã de ficção-cientifica. 


Ilustração: Henrique Alvim Corrêa 


domingo, 24 de abril de 2016

Resumo: O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel (Parte 1)




I - UMA FESTA MUITO ESPERADA

Bilbo Bolseiro anuncia seu 111º aniversário causando grande euforia na Vila dos Hobbits. As riquezas da viagem de 60 anos atrás e a aparência jovem de Bilbo causam estranheza e viram o assunto principal das conversas pelo Condado. Ham Gamgi faz relatos a respeito de Bilbo e Frodo e surgem especulações sobre seu passado e de como Frodo se tornou órfão e herdeiro de seus bens. O Mago Gandalf é visto conduzindo uma charrete carregada de fogos de artifício pela Vila dos Hobbits. Bilbo e Gandalf conversam sobre a festa e Bilbo fala em deixar o Condado. A grande festa começa com a presença de quase todos os habitantes da Vila dos Hobbits e do condado. Os fogos de artifícios de Gandalf são um dos ponto alto da festa. Bilbo faz um discurso, anuncia sua partida e desaparece da visão dos presentes ao colocar seu anel mágico que estava no bolso, deixando todos atônitos. De volta na sua toca Bilbo prepara suas coisas quando Gandalf chega. Bilbo reafirma seu desejo de férias permanentes fora do condado e de terminar seu livro. Bilbo deixa o seus bens à Frodo, mas reluta em se desfazer do anel mágico; seu comportamento estranho deixa Gandalf perplexo. Gandalf convence Bilbo a deixar o anel. Bilbo parte do condado acompanhado de três anões. Frodo chega na toca de Bilbo e encontra Gandalf sozinho. Gandalf o aconselha a não fazer uso do anel e a guarda-lo em segredo e a salvo. Frodo encerra a festa, e no dia seguinte distribui alguns presentes que Bilbo havia deixado a outros amigos e parentes. Frodo é hostilizado pelos Sacola-bolseiros e briga com Sancho Pé-soberbo, que havia iniciado uma escavação dentro da toca em busca do Ouro lendário trazido por Bilbo. Gandalf aparece e faz o primeiro alerta sobre o anel, advertindo Frodo a não usa-lo; e diz que não deveria mais visitar o condado abertamente com frequência devido sua impopularidade e boatos de que se tornara perturbador da paz. Gandalf parte e Frodo estranha a aparência preocupada do Mago. 


II - A SOMBRA DO PASSADO


Um ano após a festa, o desaparecimento de Bilbo ainda é assunto em todo o Condado. A aparência jovem e inalterada de Frodo passam a chamar atenção na vila. Com o passar dos anos, Frodo sente arrependimento de não ter partido com Bilbo e passa a desejar conhecer o mundo fora do condado. Elfos são vistos atravessando o condado rumo aos Portos Cinzento. Anões de países distantes são vistos procurando refúgio no oeste. Murmúrios sobre o inimigo e a Terra de Mordor são ouvidos por alguns habitantes Condado. Na estalagem Dragão Verde Sam faz relatos sobre as histórias estranhas que circundam o Condado e é ridicularizado por Ted. Gandalf reaparece depois de um longo período e passa a fazer visitas breves e esporádicas a Vila dos Hobbits. Depois de nove anos Gandalf retorna e se surpreende com a aparência inalterada de Frodo. Gandalf informa a Frodo suas suspeitas sobre o anel mágico e faz um relato sobre a forja dos Grandes Anéis quando Sam corta a grama do lado de fora. Frodo se assusta ao ser informado que Sauron - O Senhor do Escuro - planeja cobrir a terra em plena escuridão e escravizar a todos. Gandalf relata sobre o achado do Anel por Bilbo. Todas as suspeitas sobre o anel são confirmadas quando Gandalf o lança no fogo da lareira e exibe as inscrições sob sua superfície. Gandalf conta a história de Sméagol e de como ele se tornou portador do Anel. Frodo faz uma tentativa em vão de danificar do anel mas é informado que somente o fogo da Montanha da Perdição pode destrui-lo. Frodo oferece o anel a Gandalf, que o repreende. Preocupado, Frodo decide que deve deixar o Condado e levar o anel, o que aumenta a admiração de Gandalf pelos Hobbits. Sam é flagrado espionando do lado de fora, e comemora ao saber que Gandalf o mandara partir junto com Frodo. 



III - TRÊS NÃO É DE MAIS


Frodo planeja partir em seu 50º aniversário. Gandalf o aconselha ir à Valfenda e sair sem ser visto. A noticia de que Frodo está vendendo Bolsão e indo morar na Terra dos Buques se espalha por todo o Condado. Gandalf parte mais uma vez rumo ao Sul para buscar mais noticias.  O belo verão do Condado ameniza a ansiedade de Frodo. Fredegar Bolger, Folco Boffin, Pippin Túk e Merry Brandebuque ajudam Frodo com as bagagens. Nas vésperas de seu aniversário Frodo se sente inquieto e ansioso com a ausência de Gandalf. Lobélia e os Sacola-Bolseiros fazem uma visita indesejada em Bolsão. Frodo sente uma grande melancolia em seu último jantar e no último pôr do Sol em Bolsão. Em uma breve caminhada pela estrada da Colina Frodo ouve passos e um diálogo do Feitor com um estranho de voz perturbadora. Frodo parte de Bolsão acompanhado de Pippin e reencontra com Sam fora da Vila. De longe Frodo contempla a Vila  distante uma última vez e faz um aceno. Depois de longas horas de caminhada os 3 Hobbits pausam pra descansar e dormir em um pinheral. Frodo canta famoso verso de Bilbo Bolseiro. Sam escuta passos de um Cavalo e os Hobbits se escondem. Frodo avista um atemorizante Cavaleiro Negro e sente grande desejo de usar o anel. Sam conta que foi informado pelo seu Pai que Frodo estava sendo procurando na noite anterior quando ainda estavam na Vila. Os Hobbits decidem não caminhar pela estrada. Frodo avista novamente a assombrosa figura de outro Cavaleiro Negro farejando o ar e sem perceber estava prestes a usar o anel. Os Hobbits contemplam uma linda passagem duma comitiva de Elfos que cantam o nome de Elbereth e Sam fica entusiasmado. Frodo fica surpreso ao saber que ele e Bilbo são conhecidos pelos Elfos. O líder da comitiva dos Elfos (Gildor) conta que é da Casa de Elrond e que estão prestes a partir da Terra-média pelo Grande Mar. Pippin pergunta aos elfos sobre os Cavaleiros Negros e são convidados a percorrer a estrada junto com eles. Os Hobbits e Elfos acampam próximo da Vila do Bosque. Elfos cantam ao céu estrelado e tocam profundamente Pippin e Sam. Frodo e Gildor conversam sobre os planos adiante. Gildor encoraja Frodo. 


IV - ATALHO ATÉ COGUMELOS 

Na manhã seguinte os elfos partem sem serem percebidos e os hobbits decidem seguir caminho até Buqueburgo após o desjejum. Frodo é tomado por preocupações. Sam reafirma que seguirá Frodo a qualquer lugar. Frodo decide cortar caminho pelo campo e Pippin conta as dificuldades de se fazer atalho pelos campos. Frodo, Sam e Pippin percorrem milhas atravessando florestas e riachos. Um pavoroso grito soa pelos ares e deixam os hobbits atônitos. Após percorrer milhas, os 3 amigos chegam na Fazenda de Magote e temem seus cachorros. Frodo faz um relato da época em que invadia as plantações de magote para pegar cogumelos. Magote recebe os hobbits com os cachorros mas ao reconhecer Pippin, impede o ataque e os convidam para entrar. Magote relata que um Cavaleiro estranho esteve em sua Fazenda pedindo notícias sobre Bolseiro. Frodo fica preocupado com o percurso até a balsa de Buqueburgo. Magote chama as pessoas da Vila do hobbits de estranhos e, desconfiado, aconselha Frodo a ficar na Terra dos Buques. O hobbits participam de uma generosa ceia com a família de Magote. Após a ceia Magote dá uma carona de carroça até a entrada do caminho que conduzia à balsa. Merry reencontra o grupo e Magote se despede entregando uma cesta de cogumelos.



V - CONSPIRAÇÃO DESMASCARADA

Merry conduz os Hobbits pelo rio Brandevin. Pela primeira vez fora do Condado, Sam deseja que Frodo pudesse ter continuado a viver tranquilamente em Bolsão. Ao descerem da Balsa olham para trás e no ancoradouro distante observam uma figura que parece um escuro fardo preto se movendo de um lado para o outro, como se examinasse o chão. Merry questiona o que pode ser aquilo e Frodo diz que estão sendo perseguidos. Os quatro Hobbits finalmente chegam à nova casa de Frodo em Cricôncavo, onde são recebidos por Fatty Bolger. Frodo acha o novo Lar confortável mas se sente pesaroso em ter de dizer aos amigos, na mesma noite, que não viverá lá. Após o banho e durante a ceia, Merry pede um relatório completo sobre a vinda dos amigos. Pippin relata sobre as aparições dos Cavaleiros Negros. Frodo se prepara para contar a verdade mas é surpreendido por Merry e Pippin, que já sabem de todos os planos de deixar o Condado e dos possíveis perigos que o cerca. Merry relata que sabia sobre o Anel desde um ano antes da festa de Bilbo, pois alem de ter lido o livro que Bilbo estava escrevendo diz ter visto ele usar um Anel de ouro para desaparecer da presença dos Sacola-Bolseiros. Merry e Pippin assegura Frodo de que irão com ele em sua aventura. Sam é apontado como o principal informante dos planos. Passado a surpresa das informações Frodo se sente feliz por não ter tido total tarefa de contar sobre o que estava acontecendo. Merry e Pippin entoam uma canção seguindo o modelo de Bilbo e sua aventura de anos atrás. Todos fazem os planos para a partida. Para despistar os Cavaleiros Negros, fica decidido tomar um caminho inesperado pela Floresta Velha. Fatty Bolger, que fica encarregado de continuar a farsa da nova moradia de Frodo e avisar Gandalf quando ele aparecer, diz que o caminho pela Floresta Velha pode ser tão perigoso quanto os Cavaleiros Negros. Frodo, Merry, Sam e Pippin fazem os ajustes para a viagem e vão dormir. Frodo tem outro sonho sinistro e perturbador.



VI - A FLORESTA VELHA

Pela manhã os Hobbits montaram os pôneis e partem de Cricôncavo. Fatty Bolger se despede do grupo na entrada da Floreste Velha. Merry conta sobre os aspectos sinistros da Floresta e faz um relato de quando os Hobbits cortaram centenas de árvores da Floresta. Os quatro amigos tem a sensação de que estão sendo observados. Frodo se pergunta se tinha feito a coisa certa ao cruzar pela Floresta. Merry aponta para a Clareira da Fogueira mas percebe que a trilha saiu do lugar. Os Hobbits sentem cada vez mais forte uma pressão de má disposição da Floreste sobre eles. Frodo entoa uma canção para encorajar a caminhada mas pausa quando percebe que sua voz desapareceu com o ar pesado. Merry evita percorrer pelo Vale do Voltavime. Durante a pausa para a refeição do meio-dia, eles veem na distância ao leste as linhas verde-acinzentadas das Colinas. Depois de algumas horas caminhada os Hobbits perdem o senso de direção e chegam ao rio Voltavime. Merry descobre uma nova trilha e Pippin pergunta quem poderia ter feito. Seguiram em filha pela trilha há pouco descoberta. Todos pausam a caminhada cansados. Frodo passa a sentir sono e alucinações. Merry e Pippin se arrastam pelo chão, deitam-se apoiados no tronco de um salgueiro e caem num sono profundo de encantamento. Frodo quase sonâmbulo adormece no leito do rio e ao ser tirado de lá por Sam, diz ter sido arremessado no rio pela árvore. Sam e Frodo se desesperam ao perceberem que Merry e Pippin foram engolidos pelas árvores em que estavam debruçados. Os dois Hobbits tentam em vão atear fogo nas árvores que prenderam Merry e Pippin. Ao pedirem socorro, surge na trilha um homem cantando e dançando que se identifica como Tom Bombadil. Tom Bombadil consegue tirar Merry e Pippin de dentro das fendas da árvore. Os quatro amigos são convidados para uma ceia na casa de Tom Bombadil. Percorrendo o caminho, as árvores acabam, a névoa fica para trás e saem da Floresta. Todos avistam uma a porta que se abre fluindo um largo facho de luz dourada de dentro da casa. Ouvindo uma canção duma linda voz feminina  os Hobbits pisaram na soleira da ponta e foram cobertos por uma luz dourada. 


VII - NA CASA DE TOM BOMBADIL

Dentro da casa os quatro Hobbits ficam impressionados com uma mulher de longos cabelos loiros cacheados e vestido verde. Fruta d’Ouro assegura os quatro Hobbits que estes estão seguros sob o teto de Tom Bombadil e chama Frodo de amigo-dos-elfos. Frodo pergunta sobre Tom Bombadil e Fruta d’Ouro explica que ele é o Senhor da Floresta. Depois de um banho e uma farta ceia, os Hobbits são acomodados para dormir. Depois de Fruta  d’Ouro dar boa noite e se retirar, Frodo questiona a Tom Bombadil se foi apenas o acaso que o trouxe naquele momento de apuros. Tom diz que foi o acaso mas que obteve notícias de Frodo vagando pela região. Tom canta sua missão. Frodo pergunta sobre o Salgueiro-homem mas Tom decide ser melhor contar durante o dia. Depois de dar boa noite todos dormem. Num sonho Frodo tem a impressão de estar numa noite de lua nova, e ao percorrer diante de uma parede negra de pedra perfurada por um arco escuro que parecia um portão. Ainda durante o sonho ele avista uma enorme torre de pedra. No topo da torre ele observa a lua iluminas a cabeça de um homem, reluzindo seus cabelos brancos. Na planície onde estava a torre vinha o grito de vozes cruéis, e o uivo de muitos lobos.De repente, uma águia enorme deu um voo rasante e o carregou para longe. O som, como de ventania trouxe o ruído de cascos, galopando. Frodo acorda ainda com o som de cascos galopando na sua cabeça mas volta a dormir. Pippin sonha que estava novamente dentro de um salgueiro mas uma voz o tranquiliza. Merry sonha que está num brejo lodoso e sente um sopro doce de ar que o adormece. Na manhã seguinte, depois do desjejum, Frodo sentia alegria no coração por estar na casa de tom Bombadil. Tom contou-lhes muitas histórias sobre a Floresta Velha e o Salgueiro-homem e sua origem. Fruta d’Ouro prepara um banquete e entoa várias canções. Tom pergunta a Frodo sobre o Anel. Com o Anel em suas mãos, Tom o coloca na ponta do seu dedo mínimo mas os Hobbits não perceberam nada de estranho a respeito disso, até que ele sumiu e reapareceu entregando o Anel a Frodo. Seguindo o conselho de Tom Bombadil os Hobbits decidem rumar o máximo possível para o norte. 



VIII - NEBLINA SOBRE AS COLINAS DOS TÚMULOS

Depois do desjejum, os Hobbits partem da casa de Tom Bombadil. Fruta d’Ouro se despede dos quatro amigos. Nas colinas, a paisagem tem algo perturbador. Numa parada para refeição, os quatro amigos adormecem encostado numa pedra fincada no solo. Ao despertarem dum sono que não estava em seus planos, percebem que estão em meio à muita neblina. Todos tem a impressão de que caíram numa armadilha. Para evitar que se separem, continuam a caminhada em fila indiana. Próximo do portão norte da Colina dos Túmulos, Frodo é envolvido pela escuridão e se perde dos demais. Frodo retoma os sentidos e percebe que está aprisionado dentro de um túmulo, ao lado de Sam, Merry e Pippin, todos vestidos de branco e rodeados de tesouros. Frodo ouve uma canção e encantamento e sente o desejo de colocar o Anel. Frodo invoca Tom Bombadil. Sam, Merry e Pippin são retirados do domínio das criaturas tumulares e postos pra fora do túmulo. Tom Bombadil desperta os três hobbits do encantamento. Tom sobe no túmulo com os tesouros e ordena um encantamento para que nenhuma criatura volte para aquele lugar. Dos tesouros, os hobbits recebem Punhais. Tom explica que as lâminas foram forjadas pelos homens de Ponente, inimigos do Senhor do Escuro, mas que foram derrotados pelo rei de Carn Dum na Terra de Angmar. Os Hobbits tem um vislumbre do mundo antigo com homens altos e suas espadas. Frodo, Sam, Merry e Pippin partem conduzindo seus pôneis colina abaixo e sob a  companhia de Tom Bombadil. Os cinco passam por barrancos íngremes dos dois lados e Tom explica que aquele  fosso tinha sido a divisa de um reino muitos anos atrás. De volta para a Estrada, os Hobbits temem os Cavaleiros Negros. Antes de se despedir, Tom Bombadil os encorajam e os aconselham ir para a estalagem ‘O Pônei Saltitante’, na aldeia Bri. Frodo relembra os amigos que seu nome Bolseiro não deve ser mencionado. Os quatro hobbits cavalgam em silêncio durante a noite e avistam a aldeia Bri.


IX - NO PÔNEI SALTITANTE

Os hobbits chegam em Bri e respondem perguntas do porteiro Harry. Frodo desconfia da curiosidade de Harry. Uma figura escura rapidamente pula o portão e some na escuridão das ruas da aldeia. Sam teme os Cavaleiros Negros e deseja não passar a noite em Bri. Na estalagem 'Pônei Saltitante de Cevado Carrapicho’, os hobbits são recebidos pelo Sr. Carrapicho que tenta lembrar de algo relacionado aos hobbits mas não consegue. Sr. Carrapicho relata que o movimento na estalagem está acima do habitual e que chegara pessoa do sul e comitiva de anões. Os quatro amigos tomam banho e fazem uma agradável ceia. Todos se reune na grande sala da estalagem com os homens, hobbits e anões que estavam em Bri. O Sr. Carrapicho apresenta os hobbits aos demais hóspedes e visitantes da estalagem. Frodo senta-se num canto e passa a observar e ouvir as histórias e notícias do mundo afora que se contavam em Bri. Pippin provoca gargalhadas com as histórias que passa a contar. Frodo percebe um homem sentado com as pernas esticadas num canto escuro. Sr Carrapicho informa a Frodo que o homem misterioso presente se chama Passolargo. Passolargo convida Frodo para sentar-se ao lado dele e alerta que seus amigos estão falando de mais. Pippin conta para a plateia sobre a festa e o desaparecimento de Bilbo. Para tirar atenção da plateia de Pippin, Frodo fica de pé na mesa e, com o Anel na mão, passa a cantar uma canção. Frodo cai no chão e desaparece ao colocar o anel sem querer. Um habitante de Bri observa o tumulto e sai acompanhado de um homem vesgo. Sr. Carrapicho discute com Artemisa sobre o sumiço de Frodo. Frodo pede desculpas pelo incidente. Sr. Carrapicho diz a Frodo que precisa conversar com ele em particular.



X PASSOLARGO

Passolargo diz que já acompanha os quatro Hobbits desde a chegada em Bri, e pede para Frodo e seus amigos serem mais cautelosos. Frodo questiona o interesse. Passolargo explica que estava a procura de um hobbit chamado Frodo Bolseiro e alerta sobre a presença de Cavaleiros Negros. Frodo tenta se explicar sobre o acidente. Passolargo informa que o sujeito estranho que vigiava Frodo possa ser um informante do sul e que os Cavaleiros Negros vão persegui-los dia e noite. Passolargo diz a Frodo e seus amigos que precisam partir no dia seguinte e se coloca à disposição para acompanha-los. Sam diz a Frodo que esta é uma má idéia. Passolargo diz a eles que nunca chegarão a Valfenda sozinhos. Sr. Carrapricho e Nob chegam ao cômodo. Carrapicho explica que havia sido designado por Gandalf para entregar uma carta a um hobbit chamado Sr. Frodo Bolseiro. Frodo se identifica. Carrapicho fala que Cavaleiros Negros estavam à procura de um Bolseiro. Frodo diz que não pode explicar muito sobre os Cavaleiros Negros. Passolargo informa ao Sr. Carrapicho que os Cavaleiros Negros vem de Mordor. Frodo diz que devem partir ao amanhecer do dia seguinte. Carrapicho pergunta onde está Merry e Frodo responde que ele estava tomando ar lá fora. Carrapicho lança outro olhar desconfiado para Passolargo e se retira. Frodo lê a Carta de Gandalf. Na carta, Gandalf fala que precisou partir imediatamente após receber notícias ruins, pede para que Frodo parta imediatamente do Condado e vá até Bri, onde encontrará Passolargo, que os ajudará a ir até Valfenda. Gandalf também fala que, na possiblidade de sua ausência em Valfenda, Frodo poderá receber conselhos de Elrond. Ao término da carta, Gandalf pede para que Frodo não use o Anel e certifique-se de que Passolargo é o verdadeiro, que se chama Aragorn. Frodo pergunta o que pode ter acontecido a Gandalf. Sam questiona se Passolargo é o mesmo que Gandalf menciona na carta. Passolargo se identifica como Aragorn, filho de Arathorn. Aragorn planeja partir em direção ao Topo do Vento. Merry entra no cômodo apavorado e diz ter visto Cavaleiros Negros em Bri e que apagou em sonhos sinistros. Nob relata que encontrou Merry no chão. Aragorn diz que Merry foi enfeitiçado pelo Hálito Negro de um dos Cavaleiros. Aragorn diz que os hobbits não podem mais voltar para seus quartos. Nob explica que fez um disfarce de ocupação nas camas do outro quarto, usando almofadas. Os hobbits adormecem sob a vigília de Passolargo. 

XI - UMA FACA NO ESCURO

Na casa em Cricôncavo, Fatty Bolger ver uma sombra negra se mover na escuridão. Os Cavaleiros Negros invadem a Terra dos Buques e causam pânico. Fatty Bolger, em choque, foge pelos fundos da casa. Os Brandebuques soam o toque de corneta alertando o perigo. Os Cavaleiros Negros reviram a casa de Fatty Bolger e fogem deixando cair uma capa de hobbit. Em Bri, no Pônei Saltitante, Frodo tem sonhos perturbados pelo ruído de vento, cascos galopando e uma corneta tocando freneticamente. Pela manhã, Passolargo leva os 4 hobbits até seus quartos e encontram janelas abertas, camas reviradas e almofadas rasgadas no chão. Sr. Carrapicho fica horrorizado. Passolargo informa que os tempos são sombrios e que precisam partir imediatamente. Carrapicho informa que os pôneis desapareceram. Bob informa que Bill Samambaia poderia vender um Pônei. Após o desjejum, os Quatro Hobbits partem de Bri liderados por Passolargo. Os habitantes de Bri acompanham a saída e Frodo avista o olhar do homem do sul. Fora da Colina Bri, Passolargo os conduzem por trilhas entrecruzadas. No segundo dia começam a rumar em direção ao leste. No terceiro dia fora de Bri, saem da Floreste Chet e se aproximam do Pântano dos Mosquitos. No Pântano dos Mosquitos Pippin reclama que há mais mosquitos do que pântano. No quarto dia os mosquitos ainda os perseguiam. Frodo  olha para o leste e avista no céu uma luz piscando e sumindo várias vezes. No quinto dia deixam as últimas poças e juncos dos pântanos para trás. Passolargo aponta para o Topo do Vento. Frodo tem esperança de encontrar Gandalf lá. Passolargo explica que não é seguro permanecer lá por muito tempo. Passolargo faz um breve relato sobre a trilha que conduz ao Topo do Vento e informa que a torre de vigia chamada de Amon Sul fora usada Elendil, que esperava Gil Galad do Oeste, nos dias da Última Aliança. Sam murmura uma poesia sobre Gil-Galad. Ao meio-dia chegam às ruínas de Amon Sul. Passolargo identifica uma mensagem de Gandalf numa rocha. Do topo da colina Frodo avista duas manchas negras indo na direção oeste e leste. Passolargo explica que os Cavaleiros Negros usam espiões e são atraídos pelo Anel. No canto mais baixo ascendem uma fogueira e preparam uma refeição enquanto a noite cai. Passolargo faz um relato sobre Beren e Luthien. Passolargo e os Hobbits são cercados por Cavaleiros Negros. Frodo coloca o anel e observa a figura fantasmagórica dos Cavaleiros Negros, com rostos brancos, elmos de prata cabelos cinzentos. Frodo é perfurado por um dos Cavaleiros Negros. Passolargo salta da escuridão com um pedaço de lenha. Frodo tira o Anel de dedo. 



XII - FUGA PARA O VAU


Sam, Merry e Pippin encontram o corpo de Frodo caído no chão. Passolargo pede para Merry e Pippin aqueçam água e banhem o ferimento de Frodo. Passolargo diz que os Cavaleiros Negros acreditam que Frodo tem um ferimento mortal que o submeterá à vontade deles. Sam sufoca as lágrimas. Passolargo encontra a lâmina que perfurou Frodo. Sam, Merry e Pippin observam a lâmina derreter como fumaça perante a luz. Passolargo usa folhas de Atrelas para tentar conter o ferimento de Frodo. Ao raiar completo do dia, Passolargo conduz os Hobbits pela direção sul. Ao atravessarem a Estrada, escutam uma voz fria chamando, e uma voz fria respondendo. Todos se escondem numa moita. A dor de Frodo começa aumentar. No quinto dia de caminhada, Passolargo decide voltar para Estrada. Passolargo encontra uma pedra élfica de cor verde-claro  e entende como sinal de possibilidade para atravessar a Ponte. Frodo se lembra das histórias de Bilbo ao passarem pelas ruínas das torres nas colinas. Passolargo faz um relato sobre a região que fora dominada pela sombra de Angmar. Frodo pergunta quantas vezes Passolargo esteve em Valfenda. Passolargo conta que morou em Valfenda e lá está seu coração. No décimo dia Frodo passar a sentir dores fortes e alucinações. Passolargo decide achar o Vau do Brunem. Frodo se joga no chão tremendo. Merry pergunta se poderão curar Frodo em Valfenda. Passolargo explica que Frodo fora tocado por armas do inimigo e há algum veneno ou malefício em ação. Pippin encontra uma trilha. Os cinco entram numa caverna, mas saem ao descobrir que é uma toca de trolls. Na clareira, entre as árvores, encontram três grandes trolls de pedra. Frodo se lembra da história de Bilbo, os Anões e Gandalf. Merry e Frodo conversam sobre o tesouro de Bilbo. A comitiva do elfo Glorfindel encontra Passolargo e os quatro hobbits. Glorfindel diz ter sido enviado de Valfenda para encontra-los e relata perseguição dos Cavaleiros Negros. Fronto monta o cavalo e Glorfindel. Glorfindel assegura Frodo de que seu cavalo não deixa cair nenhum cavaleiro. Frodo teme pelos seus amigos. Glorfindel conduz Passolargo e os hobbits até a Estrada. Um ruído de perseguição alerta Glorfindel, que grita para todos fugirem. Cavaleiros Negros a galope são vistos em suas direções. Glorfindel ordena para o Cavalo em que Frodo está montado fugir. Os cavaleiros Negros fazem uma perseguição alucinante. Frodo atravessa o rio. Os cavaleiros negros clamam pelo Anel. Frodo ouve um trovão e um estrondo de águas fazendo rolar muitas pedras. Frodo vê ondas brancas em forma de cavalos e atrás uma figura brilhante de luz branca. Os cavaleiros negros são engolidos pela correnteza do rio.  


(Em breve Segunda Parte!)