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domingo, 19 de março de 2017

7 critérios para se reconhecer um bom livro

Reconhecer um bom livro não é uma tarefa simples e nem objetiva. Há diversos critérios para determinar o que é um bom livro; e não são iguais para todas as pessoas. Mas, é possível enumerar alguns desses critérios:

1 – Um bom livro é necessariamente escrito em português correto e fluente;

2 – Um bom livro conta uma história interessante;

3 – Um bom livro é reconhecido e admirado por muitas pessoas de alguma cultura;

4 – Um bom livro tem originalidade;

5 – Um bom livro pode ser lido e interpretado de maneiras diversas, dependendo do leitor e da época;

6 – Um bom livro faz o leitor refletir;

7 – Um bom livro deixa no leitor uma sensação de crescimento, de ter conhecido algo novo que enriqueceu sua vida.


Numa outra oportunidade, comentarei cada critério dando exemplo de livros que podem corresponder a cada um destes. 



Referências: 
Enciclopédia Barsa, Barsa Planeta Internacional Ltda, São Paulo, 2004.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

O mito do Elfo de Tolkien

Por Micheal Martinez
Tradução: Caio Silva


Anos atrás, quando a primeira tentativa de lançar um jogo multiplayer licenciado com base na Tera-Média ainda estava em processo, houve muito debate entre os jogadores à espera sobre se eles poderiam jogar com guerreiros Noldorin. Algumas pessoas queriam a capacidade deles de conquistar espaço a forças através da paisagem da Terra-média e outros temiam as vantagens de um jogador num cenário player x player que um "real" Noldor teria contra, digamos, um Elfo Silvan ou um Anão.
A idéia de que você poderia jogar um guerreiro Noldorin a altura dos grandes guerreiros da Primeira Era era uma perspectiva tão tentadora quanto terrível, e ainda agora muitos jogos vêm e vão e as pessoas rotineiramente controlam personagens com status de divinos (ou até mesmo deuses em Smite !) sem se preocupar se um personagem é poderoso demais para o jogo. A engenharia do jogo é resposável por garantir que haja um equilíbrio.
E, claro, como qualquer um que tenha estudado a história dos Noldorin deve se lembrar que a maioria desses guerreiros superiores da Primeira Era foram aniquilados de qualquer maneira. Então, qual a diferença?
Mas a idéia de um elfo noldorin vastamente superior nunca foi totalmente apagada. Quando Tauriel cura Kili no segundo filme "Hobbit" de Peter Jackson alguns sub-segmento do fandom on-line entrou em erupção e se revoltou, não sobre a presença de Tauriel (esse foi um outro sub-segmento do fandom), mas sobre o fato de que ela brilhava com a " luz de Valinor ", quando ela manipulou a Athelas.
De alguma forma, esse problema encontrou o seu caminho até minha caixa de e-mail, talvez, quando fui entrevistado sobre os filmes, ou talvez em apenas uma outra pergunta de fã. Eu, pessoalmente, interpreto a aura de Tauriel como uma forma da equipe de Jackson em revelar a força interior de um elfo ou seu poderes espirituais, e não alguma luz ressonante de Valinor e as duas árvores. Mas a "luz de Valinor" única brilhou nos olhos do Noldor rebelde por um tempo; eventualmente, seus olhos esmaecidos se tornaram como os olhos de quaisquer outros elfos da Terra-média.

E ainda há coisas que os fãs associam apenas com aos Noldor, tais como o uso de armadura de metal e armas (que os Sindar usavam), a caça de animais (na verdade apenas os elfos-verdes de Ossiriand recusam-se a caçar animais), e a criação de artefatos "mágicos" (os Sindar também criavam coisas mágicas, assim como os elfos Silvan).

Os Noldor se tornaram elfos com uma mitologia cirada por fãs de muitas maneiras, relegados a um pedestal que Tolkien nunca os colocou . Eles eram fortes e sábios e mestres em grandes artes, mas o Sindar não eram caipiras simplórios. O carro chefe nadistinção de cultura Noldorin foi sua habilidade de engenharia. Thingol contou com os Anões para ajudá-lo a construir Menegroth, e ele mesmo recrutou sua ajuda na preparação de Nargothrond para Finrod; mas em geral o Noldor desenvolviam seus próprios grandes projetos de alvenaria e de engenharia.
Nós podemos discutir sobre os detalhes, mas eu acho que há uma percepção de quase invencibilidade sobre o Noldor que não acredito ser merecido. Tolkien escreveu-los como falho em muitos aspectos, embora nobres e fortes também. Eles foram retirados de uma tragédia grega e levados ao abate por causa de sua estupidez. E por isso muitas vezes me pergunto como esta desconexão entre leitor e história surge com frequência, Não é possivel que esses leitores estejam todos seguindo as inferências de uma pessoa só pessoa, é?
E, no entanto, apesar de toda essa super fé generalizada na capacidade dos noldor, simbolizadas por Fëanor e outros príncipes Noldorin, Aparentemente há também consternação dos fãs sobre o poder de Galadriel. Ela, que no livro estirpou as masmorras de Dol Guldur depois que seu Anel tinha perdido o seu poder de repente parecia muito poderosa para as legiões de fãs que estavam examinando todos os aspectos dos filmes de Jackson. E tudo que ela fez foi lutar com um Sauron recentemente ressurgido e alguns Nazgul sombrio.
Galadriel é ser capaz de derrotar Sauron em combate direto? Na verdade, sim, embora talvez apenas por pura sorte. Afinal Sauron com o Anel foi derrotado por Elendil; então os fãs estão sugerindo que ele era mais poderoso que Galadriel? Luthien também derrotou Sauron (antes dele aumentar a sua própria força, criando o Um Anel).

Sauron pode muito bem ser derrotado em um combate um-contra-um, seja através de magia ou armas. Ele é tão invencível uma montanha que está diante de uma legião de máquinas de escavação. Cedo ou tarde ele cairá. O Truque de Sauron não era fazer de sí invencível, mas sim dominante. O Um Anel reforçada a sua capacidade de forças a sua vontade sobre as vontades dos seres mais fracos. Desta foma Sauron poderia atingir seus objetivos enganando seus inimigos, e ele passou dois mil anos garantindo que seus inimigos não seriam capazes de sobrepujar suas forças em batalha novamente.

E assim temos o paradoxo do Elfo de Tolkien: forte demais para ser jogado por jogadores casuais e ainda não suficientemente fortes para justificar as coisas incríveis que eles fazem nos filmes de Peter Jackson. O Legolas do livro correu na neve e derrubou o fera alada do Nazgul em escuridão quase total; o Legolas dos filmes dança sobre Trolls s e mata orcs com a maior facilidade. No livro Legolas é muitas vezes tratado como menos importante do que qualquer um dos hobbits (o próprio Tolkien disse que os feitos do elfo não foram maiores nem menores do que qualquer outra pessoa no Sociedade); e ainda sim é quase como se tivessemos uma franquia de filmes do Legolas e outras co-estrelas ao seu lado
Existe um elfo perfeito de Tolkien, uma miragem onde nos imbuimos todos os poderes e limitações de nossas próprias perspectivas. Este elfo perfeito se encaixa na "zona Cachinhos Dourados" das raças da ficção: não demasiado fraco, não muito forte, não muito mal, não muito bom. Eu, em todas as minhas viagens na Terra-média nunca conheci tal um elfo. Mas eu ouvi falar dessas criaturas de fãs em todo o mundo.
Por que é tão difícil para nós e unir e entender os Elfos da Terra-média em um quadro comum? Será que é porque Tolkien conseguiu torná-los suficientemente menos humano que não podemos compreendê-los ou é porque nós projetamos muito de nossa própria fantasia em personagens dos outros?

Eu não encontro tantas discussões sobre hobbits ou anões ou mesmo sobre os Dúnedain. Somente os elfos evocam tal análise apaixonada. "Eles devem ser assim, mas não assado, porque isso é o que Tolkien queria dizer". Eu realmente não estou certo do que Tolkien queria dizer. Muitas vezes ele se contradisse ou mudou de idéia, ou ele simplesmente esqueceu pequenos detalhes (por exemplo, como Gildor Inglorion da Casa de Finrod se encaixar em todas as genealogias reais).
Há um elfo de Tolkien, um arquétipo, que está além do personagens humanos e dos humanoides na Terra-média. Christopher Tolkien descreve este elfo como "uma vida imortal entre os mortais", mas só podemos especular o que isso deve significar. Nas mãos de Peter Jackson, isso parece significar um monte de tempo gasto praticando tiro com arco, movimentos acrobáticos, e talvez não tanto tempo aperfeiçoando verdadeiras habilidades de magia (mas o que é "mágia" para um elfo?).
Com este quadro incompleto simples Tolkien construiu uma grande mística de uma civilização perdida, um passado distante cheio de dor e maldade, e ele colocou no topo disso arrependimentos que distraem os exilados de pequenas questões como o destino do mundo livre. Há momentos em que eu só quero pegar Gildor pelo cangote e esbofeteá-lo e jogá-lo na parede e dizer: "Dane-se, senhor, você não pode ver que a Terra-média está indo para o inferno embrulhada para presente? E foram seus malditos elfos que a embrulharam e enviaram?"
Ao mesmo tempo que assumem a culpa por sua queda eles fogem da responsabilidade. Quantos fãs de Tolkien que você conhece falam sobre o mal que os Elfos (Noldor) causaram? Oh, existem alguns de nós, mas eu me sinto como um fora da lei do lado de fora da aldeia, enquanto todos dentro estão dançando e cantando como um elfo de Tolkien. Os Noldor são maus, baby. Não se esqueça disso.

E eles também são os mocinhos, as vítimas e os otários pobres que têm de rasteijar de volta para casa sem as Silmarils que foram procurar. Quando as forças de Valinor quebraram Thangorodrim e libertou todos os escravos tomados por Morgoth, quantos deles foram Noldor? Eles eram tão forte e poderoso que estavam prontos para enfrentaro próximo Lorde das Trevas? Eu acho que não!
O que há entao sobre o Noldor que faz com que pareçam ser tão superiores, tão mágicos, tão infalivelmente poderosso? Por que se destacam tanto s como imagens revestidas de teflon de uma Mary Sue? Será que ninguém recebeu o memorando sobre a sua marcha irregular à Terra-média? Eu perdi alguma coisa na história sobre como eles desperdiçaram oportunidade atrás de oportunidade com idéias idiotas e orgulho? Por que é sempre os Noldor que os Senhores das Trevas manipulam para trazer problemas?
Você não vê o vanyar cortando o Teleri. Nem o Sindar fazerem quaisquer Anéis de Poder. Estes são elfos mau. Eles são a tripulação da Serenity de Firefly. Os Noldor são os vilões da história, e ainda toda a gente é tudo "la-de-la Galadriel é tão doce e bela". Como isso aconteceu?
Há uma mitologia sobre os elfos de Tolkien . E essa teoria é indescritivelmente vaga e contraditória e cheio de falácias ilógicas. E ainda sim ela é mais defendida do que os fatos do slivros. Este mito é pernicioso e tenaz e moldes que eu não consigo nem pensar. É diferente de qualquer história de Tolkien que eu já li. É comose a história saltasse das páginas dos livros e ganhasse vida própria, e não podemos sequer culpar más adaptações por isso, porque esse mito antecede os filmes.
Nenhuma outra cultura na Terra-média é atormentada com a culpa e arrependimento, tanto quanto o Noldor. Os Ents chegar perto porque eles permitiram que as Entesposas vagassem e se perdessem. Mas os Ents eram meramente negligentes; Os Noldor conspiraram para controlar a Terra-média para sempre(ou pelo tempo que eles conseguissem sair ilesos disso). é apenas assustador como as pessoas adoram a Noldor sem parar para pensar que esses caras queriam manter todos os outros em seus lugares para milhares e milhares de anos.
E você sabe o que é engraçado? De vez em quando algum fanboy Noldo-adorador tem a coragem de perguntar em um fórum ou blog, "Você não acha que é estranho que as tecnologias da Terra-média não avançaram ao longo de milhares de anos?"
Para mim, isso é como perguntar: "Você não acha que é estranho que todos esses mafiosos trabalhavam para Al Capone?"


Você me diz: quão estranho é isso?

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Livro Digital - Quando informação é melhor do que cheiro?


Esquerda: Fãs de J.K Rowling lotam livraria da California no lançamento
do último livro da série Harry Potter.
Direita: Fãs de Dan Brown do Reino Unido concentram em frente a um relógio
pra receber o livro Inferno em seus Kindle. 

Desde a antiguidade a escrita é utilizada para transmitir idéias e informações através de palavras. O objetivo em transmitir ensinos, valores e histórias é o mesmo, no entanto os meios de transmissão mudaram ao longo do tempo. A pedra, argila, papiro e pergaminho já foram os instrumentos principais utilizados para conservar a escrita. O livro tal como conhecemos surgiu na idade média e moderna, sendo por vários séculos até a atualidade o objeto principal para se publicar e fazer leituras. Com o surgimento dos tablets, smartphones e e-readers (leitores digitais), os meios de leitura tem se tornado cada vez mais diversificado e populares, atraindo um número de adeptos cada vez maior ao livro digital. No entanto, apesar do avanço da tecnologia, muitos ainda preferem segurar e sentir o cheiro do bom e clássico livro físico. Tal preferencia é quase sempre expressada com “nada se compara…”. Então fiz o teste, já por meses tenho utilizado diferentes instrumentos de leitura com o objetivo de buscar qual deles tornou minha experiência de leitura mais prática, agradável e proveitosa. 

“Não se pode julgar um livro pela capa”

O provérbio popular é verdadeiro, mas atire a primeira pedra o leitor que não é atraído pela capa de um belo livro! Quem nunca sentiu-se atraído a adquirir aquele livro de capa dura, com uma belíssima arte em alto relevo e recheado com belas ilustrações? Existem várias edições de livros e as vezes uma mesma obra reune diferentes edições que atraem tanto os leitores de primeira viagem quanto os colecionadores da obra ou do autor, não restando dúvidas que, por esses e outros motivos, uma publicação física se torna um objeto precioso de qualquer leitor. Mas até que ponto?

O Senhor dos Anéis, Edição Completa (Martins Fontes, 2003)

Logo acima está um livro que todo garoto nos seus 13 e 14 anos sonhava nos anos de 2001-2003, quando o mundo vivia o auge do encanto com O Senhor dos Anéis no Cinema. Naqueles anos, todos no Brasil voltaram seus olhos para a obra de J.R.R Tolkien. Naquela época só existia o livro físico, e as edições especiais desses livros eram objetos de cobiça. No entanto houve alguns incômodos nessa minha relíquia comprada em 2003. O grande volume era desconfortável para segurar e as letras de fonte pequena dificultava o bom entendimento e a fluidez da leitura. Marcar texto, fazer anotações, num livro de 150 reais? Nem pensar! Não só ele, até hoje qualquer livro a comprar, o tamanho da fonte será único, algumas vezes é possível encontrar uma de tamanho confortável, outras de tamanho mínimo, o que acaba gerando desconforto. 

Dan Brown é um dos meus escritores favoritos, no entanto a menos que você não seja um professor de Simbologia e História da Arte, vai parar a leitura em um de seus livros a cada 5 minutos ou a cada página virada e jogar no Google imagens os objetos, desenhos, obras de arte e locais apresentados que são de grande importância para o entendimento do enredo. A história que deveria ser de suspense acaba virando de pesquisa didática e o ritmo alucinante da narração de Dan Brown, infelizmente é sacrificado.

"Não se pode julgar um livro pelo formato" 

Geralmente não pensamos como a tecnologia poderá suprir alguma necessidade quando não nos damos conta que a necessidade existe. Antes de adquirir meu tablet (iPad), não sabia que meus hábitos de leitura mudaria de forma significativa através dos e-books. Mas mudou e os motivos foram vários. A possibilidade de alterar o tipo e o tamanho da fonte, associado com a possibilidade de fazer marcações e anotações, aumentou significativamente o entendimento e o proveito que eu tiro ao ler um livro. Não importa estar em pé, sentado ou deitado, um livro de 1.200 páginas ou mais estará na palma da minha mão sem grande esforço. Se é dia ou noite, iluminação favorável ou desfavorável, a leitura não será prejudicada, a iluminação do dispositivo é ajustável. A ressalva é o tempo de bateria, que além das distrações de jogos ou acessos a internet em 2 cliques, podem ter um efeito negativo e procrastinador na leitura. Além disso o reflexo na tela pode cansar a visão em um tempo bem mais curto do que seria com um livro.

O e-reader (leitor de livros digitais ou também chamados de ebooks) veio aprimorar algumas ferramentas já oferecidas pelos livro físicos e tablets, o resultado disso é que a experiência de leitura nesse dispositivo se tornou muito mais poderosa e proveitosa. Entre elas destacam-se o dicionário embutido, com ele você simplesmente clica e segura na palavra que não entende e o significado aparece numa janela sem nenhuma necessidade de acesso a internet. Não sabe que lugar ou da pessoa histórica que esse personagem está falando? Clique no nome e poderá ver no Wikipédia sem precisar sair do livro. Além de poder marcar textos e fazer anotações, o e-reader tem mais conforto visual que os tablets, pois sua tecnologia torna a aparência da página mais próxima do papel, no entanto sendo ainda um "papel" que você pode controlar a iluminação conforme o ambiente e sem prejuízos a visão. 

Leitor de e-books da Amazon - Kindle Paperwhite


Kindle sob ambiente escuro


Fãs de Dan Brown e usuários de Kindle recebem  o e-book
 do livro INFERNO na noite de Lançamento no Reino Unido


"Quando o cheiro é a melhor opção"

As edições especiais dos livros de Dan Brown são pra mim os melhores exemplos de como os livros físicos ainda podem, algumas vezes, proporcionar uma melhor experiência de leitura. Como já mencionado, percorrer as aventuras de Robert Langdon em livros como O Código da Vinci,  O Símbolo Perdido e Inferno exigem saber o que são de fato as pinturas, objetos de artes e símbolos reais que são citados nos livros. Para suprir essa necessidade, a editora Sextante publicou as edições ilustradas, que são verdadeiras enciclopédias que guiam o leitor do começo ao fim da história sem precisar de qualquer outro material extra. 

O Símbolo Perdido - Dan Brown (Editora Sextante)

Outro é exemplo é o livro The Hobbit - Art & Design da WETA, que contém riquíssimas informações da concepção visual dos cenários, figurinos e armaduras apresentadas na trilogia O Hobbit. A experiência de conhecer o visual dos filmes com lindas fotografias e ilustrações dispensa qualquer outro formato. 

The Hobbit, Chronicles - Art & Design (WETA) 
  

CONCLUSÃO: Já desejou alguma vez viajar a lugares distantes, conhecer pessoas de diferentes culturas, ver e explorar maravilhas naturais — como assombrosas quedas-d’água, majestosas montanhas e misteriosas selvas — e aprender sobre aves, animais e plantas exóticas? Ou gostaria de mergulhar no leito oceânico, penetrar fundo no espaço sideral, perscrutar o mundo microscópico, estudar as maravilhas do cérebro, do olho e do coração, ou testemunhar o milagre do nascimento? Talvez até mesmo fazer recuar o relógio e mergulhar no passado, através da História e da arqueologia? Ou que tal se perder num mundo de Fantasia onde só existe na imaginação? É possível realizar tudo isso no conforto de uma poltrona, na sala da nossa casa, na mesa da biblioteca. Ler não é muito mais do que entrenimento, é sobrevivência. O importante não foi a pedra, não foi o papiro, não é o livro, o tablet e nem o e-reader, mas sim o conteúdo. Portanto, não tenha preconceitos, experimente diferentes formatos e sinta qual lhe proporciona uma melhor experiência de leitura, que não precisa ser sempre um ou outro. 

Se você gostaria de debater mais sobre o assunto, acesso o grupo: Valfenda - A Última Casa Amiga 

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Livros de Fantasia Nacional em alta?


Pelo menos a pesquisa online com a participação de 117 membros do grupo Valfenda - A Última Casa Amiga concluiu que sim. 64% já leram e gostam do gênero nos livros nacionais, 33% ainda não leram mas tem interesse e apenas 3% não tem interesse nos livros de literatura fantástica escritos no Brasil. Apesar da pouca ou nenhuma desaprovação dos leitores, a quantidade de pessoas que ainda não leram mas tem interesse (33%) revelam que as Editoras e Escritores que publicam Fantasia no Brasil ainda precisam aprimorar e ampliar seus trabalhos de divulgação a fim de alcançar estes e outros leitores. 

Pesquisa realizada no grupo Valfenda no dias 5,6 de Janeiro de 2015 com 117 membros
Alguns dos títulos citados e recomendados pelos leitores do grupo


segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

'Into The West' - Das Páginas para o Filme e para a Música




Basta atravessar as primeiras páginas de O Senhor dos Anéis que o leitor já percebe que a música desempenha um papel fundamental no enredo de J.R. R Tolkien. São dezenas de músicas e Poemas que retratam acontecimentos, falam de personagens, descrevem lugares, exaltam a cultura dos povos da Terra Média e suas histórias. De fato, a letra de tais músicas e poemas guiam a imaginação e aguçam o coração do leitor aos eventos épicos e dramáticos do enredo, desde o primeiro ao último capitulo. Não é de admirar que a bela e majestosa narrativa de Tolkien também tenha inspirado a Trilha Sonora dos filmes de Peter Jackson que rendeu inúmeros prêmios a seu compositor – Howard Shore.

Annie Lennox recebe o Oscar de Melhor Canção Original


No dia 29 de fevereiro de 2004, Annie Lennox, Fran Wash e Howard Shore receberam o Oscar de Melhor Canção Original pela balada ‘Into The West’ tema de O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei. Mas o que torna esta música tão especial ao público do filme e aos leitores de Tolkien? Vejamos uma breve análise das emocionantes e majestosas últimas passagens do livro e de como serviram de inspiração na composição desta canção que encantou e tirou lágrimas de milhões de pessoas.

Era sol poente nos Portos Cinzentos. É possível imaginar e sentir uma forte brisa vinda do mar, céu alaranjado, o canto das gaivotas voando pelas imponentes construções em Mithlond e som das ondas do mar. A grande guerra do Anel havia chegado ao fim, o destino do mundo fora mudado, mas as feridas físicas e emocionais no herói Frodo Bolseiro se tornaram difíceis de cicatrizar. Em resumo, este é o cenário do último capitulo e melancolia é o sentimento que Tolkien excepcionalmente crava no leitor nas últimas páginas. Os Elfos atravessarão o mar pra nunca mais voltar, Frodo, Bilbo e o inesquecível Gandalf também deixarão a Terra Média. Para o leitor fica claro que não haverá próximo capitulo e que naquelas últimas páginas terá de lidar com os mesmos sentimentos daqueles queridos personagens – A amargura da despedida. Com Sam por exemplo, Tolkien descreveu:

“a noite se aprofundou na escuridão; e enquanto contemplava o mar cinzento ele via apenas uma sombra sobre as águas, que logo se perdeu no oeste. Sam continuou ali ainda um bom tempo, ouvindo apenas o suspiro e o murmúrio das ondas nas praias da Terra-média, e o som delas penetrava fundo em seu coração…”.

O que dizer de Frodo? Depois de despedir-se de seus queridos amigos, Tolkien continuou:

“As velas foram içadas, o vento soprou e lentamente o navio se afastou ao longo do estuário comprido e cinzento; e a luz do frasco de Galadriel que Frodo carregava faiscou e se perdeu. E o navio avançou para o Alto Mar e prosseguiu para o oeste, até que por fim, numa noite de chuva, Frodo sentiu uma doce fragrância no ar e ouviu o som de um canto chegando pela água. E então teve a mesma impressão que tivera no sonho na casa de Bombadil; a cortina cinzenta de chuva se transformou num cristal prateado e se afastou, e Frodo avistou praias brancas e atrás delas uma terra vasta e verde sob o sol que subia depressa.”
Nos capítulos anteriores o personagem Legolas entoou uma canção sobre as Terras Imortais cuja letra dizia:


“Para o Mar, para o Mar! As gaivotas vão gritando,
O vento está fluindo, branca espuma levantando.
A oeste, oestembora, redondo o sol vai indo.
Barco cinza, barco cinza, o chamado estás ouvindo 
Das vozes de meu povo, dos que não vejo mais? 
Vou deixar vou deixar os bosques maternais;
nossos anos já vão indo, nossos dias terminando. 
Amplas águas vou cruzar, sozinho navegando.
Na Praia Derradeira longas ondas vão quebrando, 
Naquela Ilha Perdida doces vozes vão clamando, 
Em Eresséa, em Casadelfos que mortal não viu presente, 
Onde as folhas jamais caem: lá meu povo eternamente.”

Os Portos Cinzentos - Ted Nasmith
Obviamente tais escritos foram dramatizados sob as mesmas circunstancias para o filme e, assim como no livro, emocionou a todos. Fica claro que tais passagens ajudaram Annie Lennox, Fran Wash e Howard Shore na composição da letra e melodia de ‘Into The West’ (Para o Oeste), que magistralmente conseguiu transmitir musicalmente todo o cenário físico e sentimental da última página do livro e da última cena do filme. O som das primeiras notas musicais é formado a partir de um instrumento de cordas que nos soam ao cristalino som dos pingos de chuva ao cair no mar, e então uma voz como o timbre de Galadriel canta:

Repouse
Sua cabeça frágil e cansada
A noite esta começando
Você chegou ao fim da jornada
Durma agora
sonhe com os que vieram antes
Eles estão chamando
Das praias distantes
Por que você chora?
O que são essas lágrimas no rosto?
Logo você verá
Que todo esse medo passará…
Seguro em meus braços
Você apenas dorme

O que você consegue ver
No horizonte?
Por que a gaivota branca canta?
Através do mar
Uma lua pálida se levanta
Os navios vieram
Para te levar para casa

E tudo se tornará
Em um vidro prateado
Uma luz sobra a água
As almas passarão

A esperança se apaga
Em um mundo de noite
Através das sombras caindo
Fora da 
memória e do tempo
Não diga…
Nós chegamos ao fim…
As praias brancas estão chamando
Eu e você, nos encontraremos novamente
E você estará nos meus braços
Dormindo

(Chorus)
E tudo se tornará
Em um vidro prateado
Uma luz sobra a água
Navios cinzas passam pelo oeste

Finalizando da mesma forma em que começou, o som de cordas nas ultimas notas nos transmitem novamente o delicado e mais lento som da chuva que vai se dissipando enquanto o último barco desaparece no oeste. E ao final da canção o ouvinte acorda daquele mundo especial da mesma forma quando terminou o livro e o filme: Emocionado.

Das páginas para o filme e para a música, ‘Into The West’ foi um marco e tornou ainda mais claro o dom que a narração de Tolkien tem não só para se produzir belos filmes, mas também para inspirar belas músicas!