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quinta-feira, 29 de outubro de 2015

A grandiosidade dos efeitos práticos (Por Moisés Noah)



MALDITO CROMAQUI! Gritam as vozes silenciosas dos teclados no mundo todo. Onde estão os maravilhosos e mais palpáveis efeitos práticos das aventuras da sessão da tarde, dos clássicos dos anos 80?

Como é bom lembrar com saudade dos bonecos grotescos que substituíam os atores nos cortes das cenas, cumprindo arduamente o trabalho que hoje é assumido pela maravilha do século, conhecida como CGI.

O sentimento nostálgico com certeza é prazeroso. O bonecão que surge no espelho, quando o temível T-800 retira seu olho, no clássico Exterminador do Futuro, apesar de bizarro, era tão assustador quanto verossímil para sua década. Para minha geração, no entanto, apesar de causar aquele estranhamento e frio na barriga, já era algo um pouco risível. Lembro-me do meu pai dizendo com deboche “que esquisito, e na nossa época parecia tão bem feito”.

Acredito que a geração dos anos 90 tenham sido os últimos a testemunharem um dos melhores momentos do cinema, o período em que o CGI se tornou peça essencial nas películas de grande orçamento, mas ainda dependia de muitos efeitos práticos, devido a suas limitações. Quando surgia o CGI na tela, era a cereja do bolo, melhorando e não preenchendo por completo o conteúdo das cenas.

Em O Senhor dos Anéis vemos o que acredito ser o maior exemplo do que estou falando. Durante a fuga de Moria, as maquiagens e o set estão presentes, mas temos um tremendo aumento de escala no grande salão de Khazad-dum, e no exército de Goblins que perseguem a comitiva. A computação gráfica e os efeitos práticos interagem simbioticamente, um beneficiando o outro a criar algo visualmente crível ao espectador.

A obsessão, até justificada, em abraçar a nova tecnologia fugindo do trabalho penoso do uso das maquiagens, da construção dos cenários, cria filmes cada vez menos relacionáveis.  Claro que a evolução da tecnologia está criando modelos mais realistas, no entanto, ainda é altamente perceptível a diferença,  o temor e a aflição acabam quase inexistentes, afinal, não há com o que se preocupar.

Uma das maiores reclamações nesse sentindo é a dos fãs da saga StarWars. O próprio criador da afirmou abandonar os efeitos práticos usados na trilogia originail devido à dificuldade. E nos novos filmes até mesmo roupas de personagens eram feitas por computação. Por mais feios que fossem os alienígenas de Uma Nova Esperança, eles de fato interagiam com os atores, as lanças dos guardas suínos de Jabba the Hutt realmente poderiam ferir o jovem Luke em o Retorno de Jedi. 

O Hobbit fez um trabalho esplêndido em termos de efeitos visuais. O Gollun chegava a dar arrepios de tão real. Os goblins eram lindamente feios, um retrato perfeitamente traduzido dos traços da fantasia. Mas os orcs que mais me agradaram foram os que misturavam a linda maquiagem da Wetta com seu incrível trabalho com computação gráfica.

Precisavam as batalhas de o Hobbit se aproveitar mais desse mutualismo entre efeitos práticos e o CGI, algo que seu predecessor, já pontuado no texto, fez com excelência. Peter Jackson me pareceu muito mais dependente da computação, algo que a grande maioria dos diretores está se tornando, esbaforidos com a evolução repentina dos processadores. Mas ainda não me parece o momento para isso, pois por mais incrível e melhorada que esteja à beleza visual do trabalho digital, ainda está longe da perfeição. Há muito que se aperfeiçoar para abrir mão do silicone, ou do látex. 

Em dezembro teremos o tão esperado episódio sete de StarWars. E o diretor J.J.Abrams, que não fez feio com os bem sucedidos StarTrek, promete usufruir ao máximo, e com qualidade, dos chamados “verdadeiros efeitos especiais”. Vamos torcer para que isso venha inspirar os produtores a investir cada vez mais na construção física dos sets, das maquiagens. 


Torço muito pela evolução e aplicação do CGI, essa benção que vem possibilitado à era de ouro dos filmes “nerdicos”, mas acredito que ainda há muito espaço, e necessidade, para o uso dos datados Efeitos Práticos no cinema.  

Moisés Noah
Estudande de Direito
21 anos, Distrito Federal. 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

RESENHA: O Hobbit - A Batalha dos Cinco Exércitos


11/12/2014 - Antes de iniciar o texto, vale dizer que este tem a intenção específica de debater sobre o filme, não o livro, deve-se valorizar a sétima arte assim como a literária. O texto a seguir também contém pequenos spoilers, esteja ciente antes de começar a leitura.
“O Hobbit”, uma obra literária e adaptada para o cinema, terá sua conclusão nas telonas com a estreia de “O Hobbit A Batalha dos Cinco Exércitos”. A saga tem sido bastante criticada e gerado muitas polêmicas diante de fãs, críticos e do próprio mundo cinematográfico e literário na nova trilogia. Será que encerrou de maneira satisfatória para a maioria ou gerará mais polêmica? Será que conseguirá o primeiro Oscar da trilogia?
 Assim que o primeiro faixo de luz aparece na tela, a partir do momento em que se vê o Logo da Warner e começa a música e o clima tenso, assim que se inicia o filme, a primeira das coisas que se nota, é que a dinâmica dele que está totalmente diferente do restante da saga de Peter Jackson na Terra Média – para começar, ele não contém prólogo, a ação começa já no início do filme na parte em que encerrou “A Desolação de Smaug” – há tantos acontecimentos e tanta ação, que é até difícil acreditar que está apenas começando.  Essa mudança de dinâmica marca também, o peso do longa em questão de violência, golpes muito mais sanguinários e brutais, assim como cenas mais chocantes, que vão desde ferimentos abertos até crianças e mulheres mortas.
Uma das coisas mais marcantes na obra, que leva a emoção a um nível único, são as formações conjuntas – e surpreendente – de batalha durante a guerra em frente a Erebor. Elfos e Anões lutando juntos realmente fazem o coração bater mais rápido.
 Algo muito notório, que Peter Jackson fez questão de mostrar, foram as mudanças de visuais, inclusive dos Trolls, que agora estão com uma face muito mais “humana” – alguns têm, também, deformações corporais e/ou armas nos lugares de membros, gerando uma aparência mais assustadora e monstruosa.
Aqueles que amaldiçoavam o “pseudo-romance elfo-anão” entre Tauriel e Kili terão uma má notícia nessa conclusão. O amor dos dois é apresentado de uma forma tão pura, que até mesmo o próprio rei élfico Thranduil mostrou-se comovido.
Ainda sobre a dinâmica, vale citar que o diretor tentou manter a batalha aberta apenas para os figurantes – para os protagonistas, diferentemente de como aconteceu na Batalha de Pelennor em “O Retorno do Rei”, cria-se um ambiente novo e próprio, onde dá-se muita atenção para as batalhas individuais que selam o destino de cada personagem, mais considerados duelos do que batalhas em si.
A produção termina com momentos de extrema emoção, até para aqueles que não são fãs da obra os momentos se tornam especiais e únicos, com uma despedida calorosa de personagens extremamente carismáticos e com um encaixe perfeito com os filmes d’O Senhor dos Anéis.
Peter Jackson mostrou ter dificuldades em alegrar os fãs e os críticos em seus últimos dois filmes da saga da Terra Média, mas com o lançamento de “A Batalha dos Cinco Exércitos”, o sucesso parece estar garantido com a emoção tomando conta dos espectadores. Foi de fato, a despedida perfeita da Terra-Média, o Último Adeus.
Também disponível em: http://www.atoupeira.com.br/critica-o-hobbit-batalha-dos-cinco-exercitos-com-spoilers/